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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sou católico, mas....

Há poucas coisas tão más como o mais que famoso "cá para mim"!
Outro bom artigo do Padre Gonçalo, chama-se " Os "Católicos" adversativos e é In memoriam de Maria José Nogueira Pinto, uma católica não adversativa.
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A barca de Pedro é como a arca de Noé. Se esta providencial embarcação incluía toda a espécie de criaturas que havia à face da terra, também a Igreja congrega uma imensa variedade de almas. Todas as gentes, qualquer que seja a sua raça, a sua cultura, a sua língua ou os seus costumes, desde que legítimos, cabe na barca de Pedro. Por isso, graças a Deus, há católicos conservadores e progressistas, de direita e de esquerda, republicanos e monárquicos, regionalistas e centralistas, etc.
Se, em política, tudo o que parece é, o mesmo já não se pode dizer na Igreja. Tal é o caso dos ‘católicos’ adversativos. Muito embora a designação seja original, a realidade é, infelizmente, do mais prosaico e corrente:
- Eu sou católico, mas...
E, claro, a seguir a esta proposição adversativa, seguem não poucos reparos à doutrina cristã. A saber: eu sou católico, mas creio na reencarnação; eu sou católico, mas defendo o aborto; eu sou católico mas, não acredito no inferno; eu sou católico, mas sou a favor da eutanásia; eu sou católico, mas concordo com o casamento entre pessoas do mesmo sexo; etc., etc., etc.
É verdade que a Igreja acolhe também aqueles que, por desconhecimento ou por debilidade, não conseguem ainda viver de acordo com todos os seus preceitos. Ao contrário do que pretendiam os cátaros, a Igreja não é só dos puros ou dos santos, os únicos que são, de facto, cem por cento católicos. Com efeito, a Igreja não exclui os néscios, nem os fracos que, na realidade, somos quase todos nós. Mas não aceita os nossos erros, nem os nossos pecados, antes impõe que, da parte do crente, haja uma firme decisão de conversão.
Esta é, afinal, a diferença entre o pecador e o fariseu: ambos pecam, mas enquanto aquele reconhece-o humildemente e procura emendar-se, este justifica-se e, em vez de mudar de conduta, desautoriza a doutrina em que, afinal, não crê. O pecador que é sincero no seu propósito de santificação, tem lugar na comunidade dos crentes, mas não quem intencionalmente nega os princípios da fé cristã.
Na comunidade cristã há certamente margem para a diversidade de pontos de vista, também em matérias doutrinais opináveis, mas não cabe divergência no que respeita aos princípios fundamentais. Um cristão que, consciente e voluntariamente, dissente de uma proposição de fé definida pela competente autoridade da Igreja, não é simplesmente um católico diferente ou divergente, mas um fiel infiel, ou seja, um não fiel.
Conta-se que o pai de uma rapariga algo leviana, sabendo do seu estado interessante, tentou desesperadamente conseguir-lhe um marido que estivesse pelos ajustes. Para este efeito, assim tentou aliciar um possível candidato:
- É verdade que a minha filha está grávida, mas é só um bocadinho...
Ser ou não ser, eis a questão. Pode-se ser católico sendo ignorante e até muito pecador, mas não se pode ser ‘católico’ adversativo, ou seja, negando convictamente a doutrina da Igreja.
A fé não se afere por uma auto-declaração abstracta, mas pela opção existencial de seguir Cristo, crendo e agindo de acordo com os princípios do Evangelho. Não é católico quem afirma que o é, mas quem pensa e quer viver como tal. «Tu crês que há um só Deus? Fazes bem, no entanto também os demónios crêem e tremem. O homem é justificado pelas obras e não apenas pela fé. Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta» (Tg 2, 19.24.26)

domingo, 3 de julho de 2011

Tratado sobre a liberdade:

Depois de se legalizar o improvável, não há problema em ter rebuscadas concepções da liberdade:
"A partir do momento em que há casamentos gay porque razão não pode haver pessoas que pensem a favor da independência?" Alberto João Jardim

Vamos desistir da Vida???

Pedro Vaz Patto, escreve sobre a legitimidade da luta pro-vida, na questão do aborto:

IRREVERSÍVEL, PORQUÊ?

Voz da Verdade, 2011-07-03
Quase por acaso, a eventual alteração da lei que entre nós liberalizou o aborto foi abordada na recente campanha eleitoral. A uma hipotética e remota possibilidade de alteração dessa lei foi dada uma veemente resposta por muitos políticos: «podem tirar o cavalinho da chuva»; «a sociedade não volta para traz»; seria «um retrocesso civilizacional». Se os partidários da liberalização não pararam enquanto não convocaram um segundo referendo depois da derrota no primeiro, igual direito não é reconhecido aos adversários dessa liberalização quanto à eventual convocação de um terceiro referendo. Parece, assim, que estamos no domínio do intocável e do irreversível.

Esta ideia de uma inexorável lei histórica choca, porém, com os princípios que regem as democracias e as sociedades abertas, onde, como também foi a propósito salientado, temas como este não podem ser “tabu”. «O futuro está aberto» - salientava Karl Popper quando contrapunha esses princípios à visão marxista de uma história fechada e pré-determinada.

E essa suposta irreversibilidade também não é confirmada pela história recente. A Polónia tem hoje, e na sequência da queda do regime comunista, uma legislação que restringe acentuadamente o aborto, com reflexos efectivos na sua prática, depois de ter conhecido uma experiência de verdadeira banalização. A opinião pública dos Estados Unidos – confirmam-no os mais recentes estudos – aceita cada vez menos o status quo da liberalização do aborto - de que esse país foi pioneiro desde o longínquo ano de 1973 - e a tendência pró-vida é aí hoje quase maioritária. Por estes dias, discute-se na Rússia uma alteração legislativa, com motivações de ordem ética e demográfica, tendente à restrição do aborto (designadamente o fim do seu financiamento público), cuja prática chega actualmente aos 74 por cada 100 nascimentos.

Quanto ao “retrocesso civilizacional”, uma ideia não deixa de me vir à mente.

No Império Romano, os primeiros cristãos distinguiam-se do comum das pessoas por não aderirem a uma prática então generalizada: a morte ou abandono de crianças recém-nascidas e não desejadas. Assim o afirma a célebre Carta a Dioneto, que traça um retrato desse grupo. Ilustres filósofos gregos e latinos aceitaram essa prática sem remorsos. Se hoje ela nos choca, devemo-lo às raízes judaico-cristãs da nossa cultura. Na tutela da vida, em especial das crianças, dos deficientes, dos mais débeis e indefesos, identificamos um sinal de autêntico progresso civilizacional. Progressos civilizacionais, encontramo-los no cada vez menos frequente recurso à pena de morte, ou à guerra como forma de resolução dos conflitos. É a cada vez mais acentuada tutela da vida humana que pode representar um progresso civilizacional. Não certamente o contrário.

Assistimos hoje, porém, ao requestionar da ilicitude moral do infanticídio. Influentes filósofos como Peter Singer e Michael Tooley defendem a licitude dessa prática. A razão fundamental tem a ver com a “desumanização” da criança recém-nascida a partir de argumentos que também serviram para “desumanizar” o feto e assim legitimar o aborto; se o feto não é pessoa, também não o é a criança recém-nascida; se o feto deficiente não tem direito à vida, também não o terá a criança recém-nascida com uma deficiência que só então possa ser detectada. Afinal, o que distingue substancialmente um ser humano pouco antes ou pouco depois de nascer?

Não será certamente este um “progresso civilizacional”. Regressamos a visões pré-cristãs que se pensariam superadas, além do mais porque também contrárias a qualquer visão humanista.

Para muitos, e por isto mesmo, a liberalização do aborto nunca poderá ser vista como “progresso civilizacional”. Têm, pelo menos, o direito de ser ouvidos e considerados, e não marginalizados como “ultra-conservadores “ ou “ultra minoritários”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ao ponto que nós chegamos ou ao ponto que nós voltamos

Por favor, expliquem-me a dignidade de um suicídio assistido, gravado para a BBC? É esta a dignidade da eutanásia? Para quando a casa do Big Brother com este tema? Isto é extremamente perigoso.
Por fim, podem-me explicar quando é que a vida deixa de ser menos humana e quando podemos começar a mandar para o matador? Há critérios mas esses são do tempo do III Reich, mas começou assim o favor da eutanásia aos mais velhos e limitados e depois aos deficientes, acabou nos Judeus, homossexuais, ciganos e polacos.

domingo, 29 de maio de 2011

Crime contra a humanidade

"Os países civilizados condenaram médicos alemães em Nuremberga por terem feito abortos. Na altura isso foi considerado um crime contra a Humanidade." Julgamento de Nuremberga, USGPO, Vol. IV, p.610

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ainda sobre a conferência do ultimo sábado no convento de São Bento

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Uma coisa é certa, este movimento, Nós somos a Igreja, é um bom exemplo do fracasso, de como a rebeldia herética é cada vez mais velha e anacrónica.
Já nos é notório que a juventude Católica, quer retomar muito da tradição com um grande amor ao Papa, e isso é o futuro.
Sem duvida que é muito mais rebelde aquele que é Católico coerente!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Esta é a geração que vai acabar com o Aborto

(Sara Ribeirinho Machado!)

Ainda sobre a revista new age: Happy

Lembram-se quando escrevi sobre a revista que ironicamente se chama Happy, pois bem, recebi este comentário do Bernardo Motta blogger de um dos melhores blogs sobre a simbiose fé e razão: Espectadores.

Como achei que o comentário do Bernardo está bem melhor que o meu post, decidi publicar e agradecer.

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Margarida,
Acho que é a primeira vez que leio algo escrito contra esta maldita revista. E ainda por cima, escrito por uma mulher, o que confere ainda mais credibilidade à crítica.
Um bem-haja! Valiosa crítica!
A revista "Happy" traça um retrato deprimente da suposta "mulher moderna" (algo que eu espero, e acredito, que não exista):
- Supersticiosa, consumidora ávida de intrujices "new age", alguém que só toma decisões na vida depois de consultar a bruxa ou o horóscopo
- Intensamente trivial, apenas interessada em férias, comida (seja a ingestão seja a dieta), roupa
- Tarada sexual (e por vezes perversa), sempre pronta a trair o seu namorado ou marido, e ávida de "novas experiências" sexuais
É esta a imagem da mulher "moderna"?
Claro que não. A revista Happy é uma caricatura trágica e triste. O triste, mesmo, é que venda tanto.
Finalmente, não deixa de ser caricato que, se repararmos bem, a Happy ainda não fez uma só capa em que apareça uma mulher com ar feliz. Todas as modelos que a Happy coloca na capa surgem com semblantes enjoados e nauseados. A opção por modelos com o "look heroína", do género "estou morta de tédio!" é uma opção bizarra para uma revista intitulada "Happy".
Um abraço!
Bernardo

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sinto vergonha desta sociedade: revista happy

Sinto vergonha sempre que vou no metro, no autocarro ou na cidade de Lisboa e vejo a publicidade da revista Happy, não porque algum daqueles assuntos me envergonham, mas porque é uma revista comprada pela minha geração e pelos vistos muito vendida, vazia, ordinária, materialista.
Vejam os títulos: Dispa-se, Sexo, fetiche, bruxaria, compras, acupunctura, quando não é formas de traição ou outro tipo de prazeres ocultos.
Esta é a geração racional, esta é a minha geração? Como se pode vender tanto o instrumentalismo da pessoa humana, abuso da falta de inteligência, superstições... tudo numa só folha!
Estes temas são todos os preferidos do lucífer, por isso deixo isto aqui: CLICA pode ajudar!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Há uma linha que separa o bem e o mal, a vida e a morte

" No início do pontificado Bento XVI alertava para uma tentação frequente hoje: a de pensar erradamente que a liberdade de dizer não a Deus, o descer às trevas do pecado e o querer actuar sozinho faz parte do facto de ser pessoa humana, que devemos pôr à prova, esta liberdade, também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios. Em síntese, pensarmos que o mal é bom, que precisamos dele, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Para provar o engano deste raciocínio, basta olhar à volta. o mal envenena sempre, não eleva o homem mas rebaixa e humilha, não o enobrece, não o torna mais puro, apenas o prejudica e torna pequeno." D. Javier

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O nascimento

É Natal porque o Menino nasceu, nesta época custa mais ler isto: Há 53 abortos legais todos os dias em Portugal, há 3 anos à por dia 53 bebés, crianças, homens que deviam nascer, crescer viver e legalmente são interrompidos (?) da maior e melhor oportunidade das suas vidas: viver.
Não seria 53 vidas fáceis, de certo, a vida não é fácil à partida, mas seriam 53 vidas, tristezas, alegrias, choro mas também risos, e rir até doer a barriga, felicidades, imagino que dali podia nascer o economista que acabasse com a crise de mercado, ou o cientista que descobrisse uma fonte de energia totalmente verde ou o futuro prémio Nobel da literatura e se calhar com um livro sobre a vida da sua mãe.
Na wikipédia lê-se: "A palavra 'natal' do português já foi 'nātālis' no latim, derivada do verbo 'nāscor' (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De 'nātāl"
Feliz Natal!
Já agora para quem não lê a Biblia: "Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus nasceu pouco antes da morte do rei Herodes, o Grande. Antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a "estrela" aos magos. Nessa ocasião, o menino Jesus teria cerca de 2 anos."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ser católico não está na moda

Os católicos têm um costumo não são do tipo sair para a rua gritar a sua doutrina. A questão dos preservativos não é de todo relevante, mas incomoda muita gente, principalmente os ateus. Eis a questão se você não acredita em Deus, se o seu racionalismo não se deixa influenciar pelo Evangelho, se o Papa é anacrónico porquê que se incomoda tanto quando Bento XVI fala do preservativo? É porque precisa de algum modo de aprovação moral para um comportamento social? (o que põe em causa a descrentisse), ou é porque a Igreja é a única Instituição que se tornou imútavel ao relativismo moral do preservativo? (o que põe em causa a racionalidade acima referida), só vejo essas razões e não me digam que é por medo que a SIDA alastrasse entre os católicos porque se esses forem mesmo católicos e ouvem o que Papa diz, então têm a única solução viável a 100% dada pela própia ciência para o fim da propaganda do vírus a castidade.
Ouvir o que se quer é fácil, mas não é a verdade!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma coisa é ou não é não pode ser e não ser ao mesmo tempo, é a vida.


A frase não é minha, é do meu colega João Silveira: «‎"O que é um homem? , O que é uma mulher? , são perguntas de resposta praticamente impossível." Paulo Corte Real, presidente da ILGA, em entrevista ao jornal Sol. Parece que alguém se baldou às aulas de biologia...»

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Será que é necessário dar lições de educação sexual ao pessoal?


Se a minha mãe fosse lésbica? Eis uma pergunta que não me preocupa de todo, porque nasci. Se a minha mãe fosse lésbica, nunca poderia ser minha mãe biológica a não ser que eu não tenha nascido de uma relação de amor... isto muda tudo.
A pergunta que me preocupa de todo é, como é possível o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ça ira!, manifesto da revolução matrimonial portuguesa


Mais um artigo fantástico de Gonçalo Portocarrero de Almada. É que vale mesmo a pena ler.....
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O país comoveu-se quando a menina Jéssica declarou publicamente amar a menina Nádia e, por isso, com ela querer casar. E indignou-se quando um qualquer mangas-de-alpaca se opôs a tão nobre propósito, com o retrógrado pretexto de que o Código Civil não apadrinha um tão extremoso ajuntamento. Vai daí as duas meninas, em nome da sua arrebatadora paixão, decidem recorrer para os tribunais, que, em última instância, negam o direito ao pretendido casamento. O que lhes valeu foi o Governo, que, comovido com o enternecedor folhetim e zangado com os malvados juízes, se apressou a fazer justiça pelas suas próprias mãos, autorizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a que se seguiu a posterior aprovação parlamentar. Alegre-se o país com o happy end que pôs termo a este emocionante folhetim, digno de Bollywood, mas ninguém se iluda, porque o feliz desfecho deste rocambolesco episódio mediático mais não é do que o preâmbulo de um novo regime do casamento civil em Portugal.
A verdade é que as duas heroínas do amor, protomártires do casamento dito homossexual, são um bocado antiquadas, pois a sociedade pós-moderna deste sorridente século XXI conhece mais arrojadas expressões de acasalamento. Por exemplo, essa "cena" de que o casamento é a dois já deu o que tinha a dar e, mesmo que se admita como relíquia de outras eras, não pode ser tida, numa sociedade multicultural e globalizada, como a única modalidade matrimonial reconhecida pela lei civil. Com efeito, por que razão se há-de impor dogmaticamente que o casamento se estabelece sempre entre duas pessoas?! Porque não entre três, por exemplo, que é a conta que Deus fez?!
Se a menina Nádia e a menina Jéssica têm direito a que o seu romântico amor seja juridicamente considerado matrimonial, porque razão o menino Ibrahim, magrebino que joga no Futebol Clube da Reboleira, não pode casar simultaneamente com as suas amadas Sheila e Cynthia? Afinal, onde é que está escrito que o casamento é monogâmico? No Código Civil, é certo, mas não era também nesse vetusto pergaminho que se prescrevia a não menos odiosa exigência da disparidade de sexo, que tanto afligiu as meninas Jéssica e Nádia?!
Se já se admite a união "matrimonial" de duas mulheres ou de dois homens, admita-se também o casamento de vários cônjuges! Se não se aceita apenas o matrimónio monogâmico e heterossexual, reconheça-se então, pela mesma razão, o casamento poligâmico e homossexual! Se se deu às meninas Nádia e Jéssica o direito ao seu recíproco casamento, não se negue ao menino Ibrahim o direito ao seu harém, a bem da liberdade de nós todos, dele e também das suas muito queridas Cynthia e Sheila que, em tempo de crise, estão pelos ajustes de partilhar o mesmo marido.
Diga-se ainda, por último, que a exigência legal de que o matrimónio se estabeleça entre duas pessoas é contrária aos mais elementares direitos dos animais não-humanos. A definição do casamento como união de um homem com uma mulher é tão arcaica quanto o matrimónio para a procriação: o casamento moderno não tem nada que ver com a família ou com a geração, porque foi elevado à sublime condição do mais libérrimo amor. Ora o amor não se afirma apenas entre os humanos, como muito bem sabem quantos estimam os animais mais do que os seus semelhantes que, salvo melhor opinião, não são as ditas bestas.
Assim sendo, espera-se agora que a D. Arlete, que, desde que faleceu o marido e os filhos abalaram para parte incerta, se entregou de alma e coração à sua gata Britney, exija que o Estado português lhe permita institucionalizar esta sua amantíssima relação com o seu bichano, bem mais fiel do que o seu defunto ente querido, e muito mais carinhoso do que a sua ingrata prole. É provável que o zeloso funcionário de turno não queira abençoar esta revolucionária união e que, mais uma vez, os tribunais confirmem a recusa, em nome de um qualquer alfarrábio ultramontano. Mas se a D. Arlete, à imagem e semelhança do amoroso casalinho das meninas Jéssica e Nádia, perseverar no seu revolucionário empenho, é certo e sabido que tem garantida a vitória nos corações de todos os portugueses, sejam eles gatos ou não. E, mesmo que os tribunais não lhe dêem a razão, terá decerto direito ao prime time dos noticiários de todas as televisões e, depois, à bênção nupcial do Governo e do Parlamento. (Nota: todos os nomes são fictícios, menos o da gata, à qual se pede desculpa pela inconfidência).

in jornal Público, 2010.01.18
Gonçalo Portocarrero de Almada
Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF