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domingo, 11 de novembro de 2007

oBRAS-pRIMAS 3 - " auto-rETRATO dE rEMBRANdT aOS 63 aNOS"

Na sequência de Rembrandt, não poderia deixar de publicar a minha obra preferida deste pintor. Como seria de esperar, este pintor foi tão arrojado, que pintou uma série muito grande de auto-retratos, como se alguém naquela época estaria interessado em comprar um retrato de uma outra pessoa que não estivesse relacionada com a mesma. Normalmente os burgueses encomendavam para ornamentar as paredes das suas casas, quadros que retratassem o dono da casa, a dona da casa, os filhos, os criados, as roupas, os objectos de uso, os móveis, os animais de estimação, até a comida - como se a imagem pudesse perpetuá-los e preservar para sempre os seus haveres.


Em relação a este auto-retrato, pintado no ano da sua morte é uma imagem de passividade, resignação e cepticismo. A exibição fanfarrona de adereços e simulação artística deram lugar a um modo de vestir mais humilde e caseiro. O trabalho do pincel parece deliberadamente tosco e pesado, criando um efeito de relevo; a imagem envelhecida de Rembrandt parece desintegrar-se na nossa vista. A cor propriamente dita tem um efeito estabilizador. Podemos ver então, um
homem que, aos 63 anos, carrega todas as mortes dos que lhe foram queridos. Um contraste - tão grande quanto o foi a genialidade do artista - com o Rembrandt que retratou na juventude, nos tempos em que posava para si próprio como se fosse um herói.

oBRAS-pRIMAS 2 - " a rONDA dA nOITE"




Rembrandt conheceu fama e prosperidade, 0 que lhe permitiu ter uma vida faustosa durante um bom período de tempo, mas, como não tinha jeito para os negócios, entrou na bancarrota, e acabou mesmo, por morrer na penúria. Ele, também não tinha jeito para fazer exactamente o que lhe pediam. Rebelde como era, acontecia-lhe com frequência pintar quadros que desagradavam aos clientes, como aconteceu, por exemplo, com "A Ronda da Noite", de 1642, considerada a sua obra-prima.


A "A Ronda da Noite", é provavelmente a mais famosa e mais controversa pintura de Rembrandt. Recebeu o título erróneo, de " A Ronda da Noite" no século XIX. Este título referia-se à luz atenuada, resultante do estado de conservação e sujidade em que se encontrava, só mais tarde quando foi limpa é que se descobriu a existência do resto da composição e do grupo . O título original seria "Companhia do Capitão Banning Cocq e do Tenente van Ruytenburgh".
Existe uma ideia de separação do grupo, de modo que as personagens individuais e os participantes se mantenham absorvidos nas suas próprias acções, estando cada um sozinho. O capitão pode ser visto em primeiro plano vestido de preto, e o tenente vestido de amarelo. Na realidade, a pintura inclui um reportório de poses e retratos de figuras pintadas em outras obras, por exemplo: o cavaleiro com capacete e lança é "Alexandre, O Grande" ; podemos ver também uma outra figura de outra obra " O Homem com Capacete Dourado",.
Em resumo, esta obra foi recusada pelo Capitão Cocq, porque, em primeiro lugar, "encomendara o seu retrato e não o retrato da Companhia"; em segundo lugar, porque aquela não era uma cena de mudança de guarda e sim "o cenário de uma ópera-bufa"; e, em terceiro lugar, porque o preço era "muito alto".