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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A esmola do presidente da EDP

O artigo chama-se "O Fato usado do presidente" é de Zita Seabra, retrata bem os neo-fariseus, a esmola da nossa elite, a ler nesta época de Natal.
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Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.
Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».
Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta. Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.
Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?
Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições. Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.
2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.
Zita Seabra
(Fonte: JN online)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A REBELIÃO DAS MASSAS: Ortega y Gasset


O que ando a ler: "Hoje assistimos ao triunfo duma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de pressões materiais, impondo as suas aspirações e os seus gostos". José Ortega y Gasset, in A rebelião das massas - pág. 44 Ed. Relógiod'água.
Por mais incrível que pareça estava no IKEA à espera de umas pessoas quando li isto.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A reposta de McCain


Mais uma vitória para John McCain. É isto que as campanhas eleitorais americanas não têm por habito: Para ver o filme CLICAR AQUI.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Deputados confusos, querem uma intrepetação da nova lei do tabaco


Parece que os deputados não sabem muito bem o que consiste esta nova lei do tabaco. Quem irá saber melhor do que aqueles que têm como função aprovar as leis? Será que eles sabem que têm que ler antes de votarem.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

domingo, 16 de dezembro de 2007

A solução do problema....


Parece que as eleições para a direcção dos Bombeiros Voluntários de Algualva-Cacem são muito divertidas e produtivas para a democracia, digo isto porque o que se passou hoje nas urnas foi um verdadeiro cenário cientifico para muitos sociólogos, ora bem onde quero chegar é que a afluência dos eleitores foi fantástica, nunca o Cacem viu tantos a crerem votar, houve até filas de centenas de pessoas, isto porque o senhor da lista A agrediu com um taco de baseball o senhor da lista B que andava a arrancar os outdoor da campanha do adversário, ou seja do senhor da lista A. Numa forma baseada na filosofia dos silogismos, conclui-se que o pessoal foi votar porque isto tornou-se mediático e aquele fulano levou com uma cacetada, assim acho que seria produtivo para a democracia e para a cidadania portuguesa andarmos a dar caceteadas, claro com tacos de baseball, às elites politicas. Mesmo assim não me convenciam a votar, mas era divertido não?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Thank you Professor John Charles Sword (JCE) for tell me who is Karl Popper


"(...) A pergunta «Quem deve governar?» é formulada de um modo claramente incorrecto, e as respostas que suscita são autoritárias. (E também paradoxais.)
Proponho que em seu lugar, a questão seja formulada de um modo completamente distinto e com muito mais humildade. Algo como: «Que podemos nós fazer para estabelecermos as nossas instituições politicas de tal sorte que os governantes maus ou incapazes (que naturalmente procuramos evitar mas que apesar de tudo podem surgir) causem o mínimo possível de danos?»
Creio que sem esta mudança na formulação do problema, jamais poderemos esperar chegar a uma teoria racional do Estado e respectivas instituições.
A democracia, a meu ver, só pode ser justificada teoricamente como resposta a esta pergunta formulada em termos muito mais humildes. A resposta é: a democracia permite libertarmo-nos, sem derramamento de sangue, de governantes maus, incapazes ou tirânicos. (...)"

in, "Sobre as chamadas fontes do conhecimento", Conferencia proferida na Universidade Salzburg em 27.07.1979, por ocasião do grau de Doctor honoris causa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A comida no estudo das elites


Já o Marquês de Pombal no seu livro: Escritos Económicos de Londres, deu uma importância acrescida ao bacalhau por este fazer parte da cadeia alimentar dos portugueses mas mais propriamente dos pobres. Quando não é o meu espanto ao ler o DN, (porque compro o DN ás segundas-feiras, claro para ler o JCN) no final do Jornal vinha um entrevista ao Cozinheiro Henrique Sá Pessoa, em que este diz: "O Bacalhau vai ser um alimento das elites".

Eu pensei aqui está um bom conselho aos sociólgos que estudam as elites. Isto sim devia ser uma variável, transformando em pergunta: Então senhor ministro têm andado a comer muito bacalhau? e Bolinhos de Bacalhau? e Bacalhau à Brás? Nem um Bacalhau à Zé do Pipo? ou será que as elites cheiram a Bacalhau?

Já repararam na ligação dos estudos de elites e as comidas: W. Sombart e o rosbife ou a tarte de maçã que não combinam com o socialismo, e eu continuou a achar que os americanos são singulares ao comer com o garfo na mão direita, ai talvez a pouca afluência à esquerda?

Why???


Detesto ser uma critica (depende) mas , no seu magnifico texto : A singularidade Americana reafirmada; Seymur Martin Lipset esqueceu-se de uma das singularidades mais singulares dos americanos, isto comparando com o Canada, Europa, índia ou África: Porquê que os Americanos comem com o garfo na mão direita???? Mas porquê? Não sei se é uma questão social, mas são todos eles, desde as elites às massas!