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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Caim Bolchevique

Texto de autoria, claro, Gonçalo Portocarrero de Almada
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Muito se tem escrito e dito sobre o mais recente opúsculo do Nobel português mas, na realidade, não se percebe a razão, porque nesta sua última ficção literária, o escritor iberista não apresenta nada de novo. Pelo contrário, é mais do mesmo. Com efeito, não é de estranhar que o autor do falso «Evangelho segundo Jesus Cristo» manifeste, mais uma vez, o seu desdém pela Bíblia, palavra de um Deus em que não crê, e que, por isso, de novo arremeta contra as religiões em geral e a católica em particular, sua inimiga de longa data e muita estimação.
É verdade que alguns cristãos ficaram incomodados pela recorrente deturpação dos textos sagrados e pela falta de respeito pela liberdade religiosa que uma tal atitude evidencia. Mas reconheça-se, em abono da verdade, que o criador desta mistificação, com laivos auto-biográficos, não podia ter sido mais sincero nem coerente com a teoria política que tão devotamente segue. Com efeito, que outra personagem, que não Caim, poderia personificar melhor a ideologia em que se revê o galardoado autor?! Não é o irmão de Abel a melhor expressão bíblica do que foi, e é, o comunismo para a humanidade?
O ilustre premiado com o ignóbil prémio Nobel acredita que Caim nunca existiu, o que é, convenhamos, um acto de muita fé para quem se confessa ateu, até porque não tem qualquer evidência científica dessa suposta inexistência em que tão dogmaticamente crê. Mas decerto não ignora a realidade histórica de muitos outros Cains – Lenine, Estaline, Mao, Pol Pot e outros diabretes de menor monta – todos eles sobejamente conhecidos pelas atrocidades a que associaram os seus nomes e a sua comum ideologia.
À conta do Caim bíblico, agora reabilitado, por obra e graça deste seu oficioso defensor, pretende redimir os não poucos Cains que lhe são doutrinal e eticamente afins, mas a verdade é que o pretenso carácter mítico daquele não faz lendários os crimes destes seus comparsas mais modernos, até porque esta sanha fratricida ainda hoje impera, impunemente, na China, no Tibete, no Vietname, na Coreia do Norte, em Cuba, etc.
Mas não é só Caim que é um mito para o ortodoxo militante comunista, pois Deus também não existe (em todo o caso seria sempre um segundo Deus, porque o primeiro é, como é óbvio, o próprio escritor), e a Igreja Católica mais não é do que uma aberração. Mas, se assim é de facto, porque se incomoda tanto com a inexistente divindade e a pretensamente caduca instituição eclesial?! Será que, apesar de não acreditar em bruxas, no entanto nelas crê e teme?! Ou, melhor ainda, será que se está finalmente a converter, senão num cristão convicto, pelo menos num ateu não praticante?! Deus, que crê também nos que n'Ele não crêem, o queira…
Sem a Bíblia seriamos diferentes? Sem dúvida. Melhores? Duvido, porque todas as grandes tiranias do século XX – o fascismo, o nazismo e o comunismo – foram e são visceralmente ateias e, pelo contrário, todas as grandes gestas de justiça social são cristãs, como católica é também a maior rede mundial de assistência aos mais necessitados. Mas uma coisa é certa: sem o marxismo seriamos hoje muitos mais, concretamente mais cem milhões de mulheres e homens, tantos quantas foram as vítimas do comunismo em todo o mundo (cf. Stéphane Courtois, Le livre noir du communisme, Robert Laffont, 1998, pág. 14).
Gonçalo Portocarrero de Almada

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel da literatura


Herta Müller foi a 10ª mulher a ganhar o prémio Nobel da literatura, em Portugal só existe 2 livros seus publicados e já há muito esgotados.... Ou seja poucas são as pessoas que andaram a ler esta senhora (inclusive eu, que ando agora virada para os anglo-saxónicos) Não podemos esquecer que Müller apesar de ter nacionalidade alemã, a escritora, é Romena e com um papel importante na luta intelectual contra o regime comunista de Nicolae Ceausescu.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

tOLSTOI





Leão Tolstoi (1828-1910), um dos escritores mais importantes da literatura russa do século XIX. Pertencia à alta nobreza russa e, serviu o exército durante as Guerras do Cáucaso e da Crimeia. Esta experiência marcou-lhe profundamente, com uma vida pessoal cheia de conflitos e a uma personalidade dividida, Tolstoi aproximou-se, gradualmente, de uma posição pacifista e anarquista, recusando toda forma de governo. Associado à corrente realista, analisou profundamente a sociedade em que viveu.


As suas obras mais famosas são: Guerra e Paz e Anna Karenina. Considerado um dos romances mais importantes da história da literatura universal e uma das obras-primas do realismo, Guerra e Paz é uma visão épica da sociedade russa entre 1805 e 1815. Dela emana uma filosofia extremamente optimista, que atravessa os horrores da guerra e a consciência dos erros da humanidade, é uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. Conta a história de duas famílias russas durante a invasão napoleónica e, são referenciadas mais de quinhentas personagens. Anna Karenina, um dos melhores romances psicológicos da literatura moderna, esta obra inicia com uma das mais famosas frases de Tolstoi: "As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.", centrada num caso de adultério, desnuda as convenções sociais da nobreza russa.






Nos seus últimos anos, depois de várias crises espirituais converteu-se numa pessoa profundamente religiosa, aos poucos suas inclinações voltaram-se para a religião. Leon Tolstoi tornou-se gradualmente em um cristão evangélico, uma espécie de apóstolo, pregando para os seus. Ao renegar a religião ortodoxa, criticando as instituições eclesiásticas acabou por ser excomungado. Tolstoi tentou entregar as suas propriedades em favor dos pobres, mas a família o impediu, provocando assim um distanciamento destes. Decide entrar para um mosteiro e, no dia 31 de Outubro de 1910, embarca num comboio, acompanhado apenas da filha Alexandra e de um criado. Com a saúde abalada, foi obrigado a descer na pequena cidade de Astapovo, sendo acolhido pelo chefe da estação, onde morre miseravelmente vítima de pneumonia







Tolstoi, é considerado o expoente do anarquismo cristão que também é conhecido pelo cristianismo libertário, com base nos ensinamentos de Cristo, defende que a única autoridade legítima é Deus e, repudia qualquer autoridade secular, inclusive a Igreja enquanto instituição corrompida. Ele e seus pensamentos de anarquismo cristão foram uma grande influência para Mahatma Gandhi, que trocaram correspondência até sua morte, em 1910.