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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Roma V


Já que falei da verdadeira amizade (ver abaixo), deixo mais uma foto da colectânea: Roma. Uma pintura que se encontra no ala de arte moderna do Museu do Vaticano. É uma sala da vanguarda e inovadora, com quadros desde expressionismo, cubismo.... entre todas as correntes artísticas do século XX.
O pintor é Pedro Cano (um artigo sobre Cano). Aqui está representado um abraço entre dois grande amigos o, já, Papa João Paulo II mais o Cardeal Wyszynski. Esta amizade é uma história muito bonito, aconselho a lerem.
Isto tudo porque o respeito e a Amizade também se faz com abraços!

No início do seu Pontificado, João Paulo II escreveu ao Cardeal Wyszynski, "Na Sé de Pedro não haveria este Papa polaco, que hoje repleto de temor de Deus mas também de confiança começa o novo Pontificado, se não houvesse a tua fé, que não cedeu diante da prisão e do sofrimento, a tua esperança heróica e a tua confiança incondicionada na Mãe da Igreja; se não houvesse a Jasna Góra e todo este período de história da Igreja na nossa Pátria, ligado ao teu serviço de Bispo e de Primaz" (Carta de João Paulo II aos Polacos, 23 de outubro de 1978).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

oBRAS dAS pRIMAS - "O Jardim das Delícias" (tríptico 1510)



"O Jardim das Delícias é, de entre os trípticos de Bosh, o maior, o mais complexo e provavelmente o último a ser pintado, podendo ser considerado a sua obra mais importante."

"Estão representados o paraíso terrestre, o paraíso celestial e o inferno tornando-a numa obra complexa, povoada de pequenas figuras e criaturas imaginárias. O painel da esquerda, mostra Deus Pai unindo Adão e Eva no Jardim do Paraíso, o painel central, é uma dissertação sobre a luxúria em suas muitas formas. Para a mente medieval, o acto sexual era uma prova da perda do estado de graça pelo homem. Assim, O jardim das delícias terrenas foi colocado entre o Jardim do Éden, onde o primeiro pecado foi cometido e o inferno. Os frutos representam os prazeres da carne. Na linguagem medieval, colher frutos tinha uma certa conotação sexual. "


"A folha direita representa os tormentos do Inferno. No alto deste painel há uma imagem típica do inferno, com fogueiras ardentes cuspindo enxofre. Abaixo, desde a foice que parece um tanque em formato fálico, feita de duas orelhas e uma lâmina, até os animais estranhos e cruéis da parte inferior, Bosch dá vazão a toda a força de sua imaginação."


"Nesta obra Bosch representou os prazeres carnais, como se fosse um grande parque de diversão futurista. Um maravilhoso cenário para os grandes amantes desfrutarem de grandes momentos agradáveis, ao som do canto dos pássaros e se divertindo na fonte de água cristalina. No fundo encontramos um lago com as Casas dos Prazeres, neste lago os homens banham-se junto com as mulheres."







"Ligada à "Utopia" por um lado, mas representando o lugar da vida humana por outro, Bosch revela uma actualidade do seu tempo, dado que essa vida está entre o paraíso e o inferno como se conta no Géneses. No jardim, painel central, representações da Luxúria, mensagem de fragilidade nas envolvências do vidro e das flores, reflectem um carácter efémero da vida, passagem etérea do gozo, do prazer.

"A tendência para interpretar o mundo dos quadros de Bosch segundo os conceitos do surrealismo moderno ou mesmo a psicanálise, deve ser, pelo menos, considerada anacrónica. A psicanálise moderna seria algo de simplesmente incompreensível para o espírito medieval. A sua intenção não era dirigir-se ao consciente do observador mas, antes pelo contrário, transmitir-lhe certas verdades morais e espirituais e é exactamente por esse motivo que os seus quadros sempre tiveram um significado exacto e premeditado. Bosch seria na concepção de muitos estudiosos da arte, um surrealista antecipado."

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O meu artista/pintor preferido!!!

No âmbito da Licenciatura em Guias da Natureza pela Universidade dos Açores e inserido na cadeira de História de Arte e Património Construido II foi dada como matéria a biografia e o trabalho artístico de um dos meus artistas e pintores preferidos de sempre!!! Aqui vai um resumo do que foi leccionado nas aulas sobre Francisco Martins, o homem, a arte , o ser, a razão, a identidade.... :




FRANCISCO OLIVEIRA MARTINS


Nasceu em Angra do Heroísmo, a 1 de Outubro de 1962.
Frequentou o curso de Biologia/Geologia na Universidade dos Açores e concluiu o curso de Pintura na Escola Superior de Arte e Design, das Caldas da Rainha.
É docente de Educação Visual na Escola 3/SP Jerónimo de Andrade, de Angra.
Tem quadros em colecções particulares em Lisboa, Porto, Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, além de já ter publicado alguma bibliografia no âmbito da História da Arte açoriana.
As suas pinturas de intensa imagem colorativa, lembrando o cromatismo fauvista, incidem no abstraccionismo geométrico, raramente figurativo, e tecnicamente são caracterizadas por pinceladas grossas e vigorosas que conferem às superfícies uma textura àspera, em conformidade, com o material de base utilizado: tábua e, por vezes, cartão prensado.



Auto-retrato







Em Louvor do Divino, sobre tábua






Nascimento da Geometria, sobre tábua




Velocidade, sobre tábua



terça-feira, 4 de dezembro de 2007

oBRAS-pRIMAS 7 - "A Primavera"

Sandro Botticelli, foi o pintor mais notável da segunda metade do século XV, pertencente à Escola Florentina, início do Renascimento. Foi um homem culto e de grande temperamento artístico. Nasceu em Florença, aprendeu inicialmente ourivesaria, e também dedicou-se aos estudos literários. A maior parte da sua carreira esteve ligada às grandes famílias florentinas, especialmente aos Médicis, que o colocaram sob sua protecção e patronato. O relacionamento que teve com os Médicis possibilitou que tivesse condições para criar as suas obras-primas. Viveu apaixonadamente o aparecimento do Humanismo na corte de Lorenzo de Médici. No final da sua vida, influenciado pelas predicas de Savonarola, reformador religioso que propunha a austeridade, deixou de abordar temas mitológicos e profanos, e renuncia os elementos da perspectiva, voltando assim a uma pintura medieval. Botticelli desenvolve uma pintura narrativa. Trata com nova amplitude temas não só profanos, mas inclusive de mitologia pagã. Os seus personagens são sensuais, delicados, melancólicos. É um grande pintor da Virgem. Em contraposição às Virgens que eram pintadas nessa época, que expressam a beatitude e a contemplação de Deus, as de Botticelli apresentam um olhar de sonho e uma expressão melancólica, quase triste.






A Primavera é um quadro que utiliza a técnica de têmpera sobre madeira, combina um formato monumental (com figuras em tamanho natural) com uma técnica reminiscente da pintura de miniatura. Naquela época, quadros com dimensões grandes não era unusuais, especialmente nas residências de famílias poderosas. A sua datação é incerta, é consenso geral, que foi pintada em 1477 ou 1478, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco de Médici, primo de Lorenzo de Médici o Magnífico. Esta obra é altamente representativa da iconografia e da forma classicista, representando deuses mitológicos quase nús e de tamanho natural com um complexo simbolismo filosófico que requeriam um conhecimento profundo da literatura renascentista para poder interpretá-la. Embora a literatura da antiguidade clássica continuasse a ser uma fonte de inspiração temática, a sua influência formal tornou-se praticamente irrelevante.

Trata-se de uma obra de temática mitológica clássica que nos apresenta a alegoria da chegada dessa estação. O conteúdo codificado de A Primavera pode ser elucidado com a ajuda de um poema de Angelo Poliziano, que por seu turno inspirou-se em Ovídio. A interpretação clássica e mais generalizada é de Gaspary e Warburg (1888), descreve as figuras do seguinte modo, partindo da esquerda:



  • Mercúrio - É identificado por usar sandálias e capacete com asas e pelo caduceu, que é um pau usado para separar serpentes e criar Paz. O capacete e a espada conferem-lhe o perfil de ser o guardião do jardim de Vénus. Na representação ele está a esticar a mão que segura o caduceu de modo a dispersar a névoa; Veste um manto vermelho coberto com chamas, que cai de forma assimétrica, traço típico da Antiguidade, e era uma indicação de que se tratava de uma representação mitológica.



  • As três Graças - Seguidoras de Vénus, deusas da dança, estão representadas como três jovens, quase nuas cobertos por véus transparentes, com cabelos doirados e soltos. As Graças parecem ser retratos de pessoas existentes da época e conhecidas do pintor. A Graça da direita é Catarina Sforza, a do meio é Semiramide Appiani, mulher de Lorenzo il Popolano, também aqui representado como Mercúrio, que observa-o. A da Esquerda seria Simonetta Vespucci, protótipo de beleza Botticelliana. A hipótese mais acreditada referente às três jovens dançarinas, é que a da esquerda, de cabelos rebeldes, é a Voluptua, a central, de olhar melancólico e introvertido, é a Castidade, e a da direita, com um colar que sustêm um precioso pendente e um véu que cobre os cabelos, é a Beleza.



  • Vénus - Encontra-se no centro do quadro, e serve de eixo na composição. Ao redor da cabeça, arvoredo vai clareando, formando como uma espécie de aureola. Está representada com uma Nossa Senhora, com o cabelo coberto com véu e toca, como se tratasse de mulher casada. Apresenta-se com um vestido comprido e manto, que cai de forma assimétrica. O ventre proeminente era considerado gracioso, e um sinal de elegância era o modo de colocar a mão. Ela é o centro, não só físico, como também espiritual da obra, força criadora e coordenadora da Natureza, que faz nascer e crescer todos os seres vivos.

  • Cupido - Voa sobre a cabeça da figura central, Vénus a sua mãe, e de olhos vendados dedica-se a lançar uma flecha a uma das Graças. Na tradição clássica, Vénus e o Cupido surgem para avivar os campos, fustigados pelo inverno, iniciando a primavera ao semear flores, beleza e atracão entre todos os seres;

  • Flora - É a única figura do quadro que olha directamente para o observador, e parece que tenta espalhar a suas flores para fora da cena, cumprindo a sua função de adornar o mundo com flores. Destaca-se também pelo seu sorriso, pois não era muito frequente na pintura Renascentista, em particular de Botticelli, cujas as mulheres, estão sempre sérias e abstraídas;


  • A ninfa Cloris - Da sua boca saem as flores que Flora recolhe no seu vestido transparente. Botticelli a representa a sua metamorfose, quando se transformava em Flora.

  • Zéfiro - personificação do vento oeste, abraça a bela ninfa Cloris. É representado com cores frias, apesar de que sopra um doce brisa que possibilita a primavera.



Esta obra evidencia-se por contrastar com todo o desenvolvimento do pensamento artístico do século XV, através da perspectiva. Botticelli opta aqui por um formato monumental, com figuras de tamanho natural, com uma grande atenção ao detalhe. Apesar de alguma figuras serem inspiradas em esculturas antigas, estas não eram cópias directas sem estarem adaptadas à linguagem de Botticelli, que pressagiam o maneirismo do século XVI.

As personagens destacam-se do fundo pela claridade das suas peles e sua roupas, de cores claras e inclusivamente transparentes. A composição do arvoredo, é essencialmente laranjeiras, árvores tradicionalmente relacionadas com os Médici. No canto direito existem árvores prostradas pelo vento, que são Loureiros uma alusão ao nome de Lourenço. Todas as flores existentes fazem parte da flora Toscana

sábado, 3 de novembro de 2007

oBRAS-pRIMAS 1 - a mORTE dE mARAT

Jacques-Louis David
David pintou como um memorial propagandístico: a caixa de madeira com a inscrição de madeira torna-se uma lápide tumular e a banheira num caixão. Marat era um camarada jacobino de David, pertenciam à ala mais radical da revolução francesa. Durante o banho anotava os seus últimos pensamentos para o bem do povo. David retratou ainda com o bilhete enganador do seu assassino a pedir uma audiência; no chão pode-se observar a arma do crime; na caixa de madeira encontra-se uma carta de um filantropo anónimo.
Marat sofria de uma doença de pele cujos ardores somente se aliviavam com prolongados banhos de imersão, razão pela qual não recebia visitas com muita frequência. Charlotte Corday uma militante do partido moderado, consegue ser recebida por Marat, com o pretexto de ser uma informante, obteve assim, a oportunidade de assassiná-lo.